Sobre Economia e Política


É comum algum intelectual criar alguma coisa e depois virar fato e ser repetido. Nunca -em nenhum texto de peso acadêmico sobre eleições- se diz que há uma relação mecânica entre economia e política.

A eterna citação de Carville -publicitário da eleição de Clinton em 1992- "é a economia estúpido" trata de uma economia num ciclo de recessão onde este é o único ganho para a crítica de Clinton -pós-guerra do Golfo.

Aqui ao lado Toledo apresenta números econômicos muito melhores que os brasileiros e bate recorde de impopularidade. FHC em 1998 ganhou no primeiro turno e os números econômicos eram negativos. O que se verifica, é que um quadro recessivo que afeta o emprego e o salário -portanto a taxa de conforto da população e sua expectativa, ou um quadro econômico fortemente favorável -com expansão do emprego e dos salários e com certezas sobre o futuro próximo, dificultam ou favorecem candidatos ou governos.

Esta conjuntura econômica brasileira é neutra politicamente, pois os fundamentos macro-econômicos não afetam positivamente o emprego e o salário, de forma sensível. As pesquisas Ibope e Sensus mostram isso. E os Índices de Confiança existentes, da mesma forma. A abertura da coluna de Miriam Leitão no Globo, abaixo, repete aquele mesmo erro.

A economia sempre influenciou a política. Isso é um clássico das campanhas eleitorais. A perspectiva econômica para os próximos 12 meses é muito boa e isso teria, então, que levar a uma única conclusão: o presidente Lula será beneficiado na disputa de um segundo mandato. Contudo, o bom momento econômico atual contrasta com a queda da popularidade e das intenções de voto no presidente Lula.

<< Home