Sangria da Economia Brasileira


Jornal Estado de Minas

A impressionante cifra de US$ 1,5 bilhão, ou seja R$ 3,6 bilhões, é o tamanho da sangria sofrida pela economia brasileira provocada por transações de cerca de 10 mil pessoas beneficiárias de esquemas ilegais de doleiros para remessa de divisas ao exterior, no período de 1999 a 2003. Conforme as primeiras listas de envolvidos às quais o ESTADO DE MINAS teve acesso, essas remessas deram um prejuízo aos cofres públicos estimado em mais de US$ 375 milhões ou R$ 900 milhões em impostos não recolhidos.

Esse megaesquema de sonegação veio à tona este ano com a análise, pela Receita e Polícia Federal, de operações realizadas através de 40 subcontas da empresa Beacon Hill Service Corporation, de Nova York, responsável pela administração de contas bancárias de doleiros. Há uma diversificada gama de beneficiários do esquema, que vai desde o Banco do Brasil, que opera o câmbio oficial no País, passando por suspeitos de contrabando de diamantes, grandes bancos privados como Bradesco e HSBC, multinacionais, estatais, entidades de classe, como o Clube de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte, até cidadãos comuns. De acordo com o delegado da Divisão de Combate a Crimes Financeiros da PF ainda resta analisar a documentação referente a outras duas contas – Tucano e Midler –, que podem apontar para um sonegação também da ordem de mais US$ 200 milhões. A conta Tucano, de acordo com a Polícia Federal, é movimentada por doleiros paraguaios, através da casa Tupy Câmbios, enquanto a Midler é operada exclusivamente por paulistas.

Blog do Cesar Maia

<< Home