Pressão Para as Empresas Contratarem a Trevisan?


Revista Exame.

Os negócios do amigo de Lula 15.08.2005

Desde a posse do governo do PT, a empresa de Antoninho Marmo Trevisan cresceu de maneira inédita, atraiu novos clientes e uma porção de inimigos

Em abril deste ano, o Grupo Rede, conglomerado de empresas de energia controlado pelo empresário Jorge Queiroz de Moraes Júnior, passou a discutir com o BNDES a negociação de uma dívida de 1,2 bilhão de reais. Um mês depois, trocou a empresa que auditava suas contas -- no lugar da Boucinhas & Campos, entrou a BDO Trevisan, consultoria de Antoninho Marmo Trevisan, tradicional empresário do setor e amigo pessoal do presidente Lula há 15 anos. A troca, gerou uma série de especulações.

"O Rede buscou a Trevisan sob pressão do BNDES para fazer o processo andar no banco", afirma um executivo próximo à negociação. Trevisan tornou-se uma espécie de conselheiro informal do atual presidente Lula.

Dois novos clientes trouxeram, além de receitas, dores de cabeça à equipe da BDO Trevisan. Em 2004, a empresa passou a auditar os balanços da cervejaria Schincariol -- cujos donos foram indiciados por sonegação fiscal em junho deste ano. A BDO Trevisan também era auditora do Banco Santos, liquidado há três meses pelo Banco Central. Tanto no caso do balanço da Schincariol quanto no do Banco Santos, porém, a empresa de Antoninho Trevisan conseguiu escapar de uma forte crise de imagem. O balanço realizado para o Banco Santos levava uma série de ressalvas e foi usado pelo Banco Central para decretar a intervenção na instituição.

No caso da Schincariol, os auditores da Trevisan deixaram registrado que não haviam tido acesso a todas as informações necessárias, isentando-se de parte das responsabilidades sobre os números divulgados.

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