João Paulo Cunha se Entrega e Diz Até Que Valério Ia a Casa Dele


Estado de Minas.
– O senhor recebeu, segundo as investigações da CPI, R$ 50 mil, sacados pela sua esposa no Banco Rural. Por que, inicialmente, o senhor tentou negar o saque?
João Paulo – Não tentei negar. Assim que soube da notícia do saque, eu o confirmei. No ofício que fiz à CPI, eu disse que a minha mulher foi ao Banco Rural para tentar resolver uma pendência da conta da TVA de São Paulo (TV a cabo). Ela foi para fazer isso.

Mas, nesse dia, ela também foi para fazer o saque.
JP – Sim, fez o saque, por determinação do Delúbio Soares, que indicou o valor e o local. Quando mandei o ofício à CPI, a informação era sobre a ida dela ao Banco Rural. Aí eu respondi que ela tinha ido, para a questão da conta.

Segundo a agenda da secretária Fernanda Karina, houve um café da manhã na residência oficial da Câmara no dia 3 de setembro de 2003, com Valério. No dia seguinte, sua esposa fez o saque no banco. E nove dias depois, a Câmara lançou o edital para escolher a agência de publicidade da casa, e uma das agências de Valério ganhou. Como o senhor explica essas coincidências?
JP – Primeiro, o processo de licitação não foi de nove dias. Começou em maio. O processo de licitação não começou com a publicação do edital, começou muito antes. E, posteriormente ao edital, houve concorrência e ganhou a melhor. Sobre o café, ele aconteceu, efetivamente, na minha casa. Ele queria conversar comigo porque estava tendo algumas votações importantes na ocasião, queria me parabenizar. Eu estava sem tempo por causa da agenda, e ele foi na minha casa, me deu parabéns, desejou boa sorte. Foi exatamente isso que aconteceu.

Mas o senhor disse há pouco que só tinha relação profissional com o Valério. Era normal para o senhor receber pessoas como o Valério, que não era político, não era ligado ao PT para tomar café da manhã?
JP – A residência oficial é uma extensão da Câmara. Ali é um lugar de articulação, de conversas. Todo mundo vai lá. Nesse dia, eu estava sem tempo de atendê-lo aqui na Câmara. Então ele foi lá. Qual é o problema?
Blog do Cesar Maia

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