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Agência Estado -16 de julho de 2003.

"Tentaram me extorquir", diz ministro da Justiça

São Paulo - Em meio à conturbada investigação sobre o caso Banestado – US$ 30 bilhões que inundaram paraísos fiscais – o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, está muito atento a um inquérito, registrado com o número 2-1637-03, que corre sob segredo na Polícia Federal em São Paulo.

"Fui vítima de tentativa de extorsão”, declarou o ministro, referindo-se ao Dossiê Ermovale, um punhado de papéis que a PF apreendeu em 17 de junho à porta de um prédio na Rua Álvaro de Carvalho, no centro da capital. Bastos disse que, há cerca de três meses, alertou o superintendente regional da PF, sobre a ação de um grupo que estaria tentando vender o dossiê.

São 67 páginas que narram a suposta remessa de US$ 4 milhões para as Ilhas Virgens Britânicas que teria sido realizada pela empresa Ermovale Agropecuária Ltda., criada no início dos anos 90 pelo engenheiro Ivo Morganti Júnior, que herdou do pai – a quem teria mandado matar, em 1982 –, parte de um império de US$ 150 milhões. O velho Ivo Morganti, que morreu com um tiro nas costas, aos 58 anos, na cidade de São Carlos (SP), foi o maior usineiro de açúcar e álcool do País.

Advogado criminalista, Bastos defendeu nos tribunais Ivo Júnior e sua mãe, Maria Dirce Farani Morganti, também acusada de ter sido mandante do crime. A título de honorários, o advogado ficou com uma propriedade dos Morganti, a Fazenda Tamanduá, em Ribeirão Bonito, com 1.092 alqueires. Por meio de contrato registrado em abril de 1991 no cartório de Ibaté, Bastos arrendou o imóvel à Ermovale. Dois anos depois, Júnior e sua mãe quiseram reaver a fazenda. “Troquei 400 alqueires por outra propriedade dos Morganti, em Piracicaba”, contou o ministro. “Foi uma transação absolutamente legal e declarada ao Fisco.”


No Dossiê Ermovale, e nos depoimentos tomados pela PF, há citações a uma offshore, a Piermont Corporation, e ao nome do ministro. O comerciante Carlos Umberto Pereira e o contador Carlos Roberto Alves são os denunciantes. Eles afirmam que a transferência dos US$ 4 milhões, em junho de 1993, teve Bastos como beneficiário. Os papéis não têm uma única assinatura do ministro.

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