IstoÉ: Janene x MP - II


Os promotores relacionam os períodos dos desvios à fartura de recursos nos cofres da Prefeitura de Londrina como conseqüência da venda de 45% das ações da empresa de telefonia municipal, a Sercomtel, à Copel – estatal do governo do Paraná – em 1998. A venda rendeu à administração de Belinati R$ 186 milhões e a prefeitura ainda ficou com 55% do capital da empresa.

Na Comurb – Janene indicou, entre outros, o diretor financeiro, o advogado Eduardo Alonso. Réu como Janene nas mesmas ações, Alonso aceitou colaborar com as investigações. Favorecido pela delação premiada, deu ao MP as informações mais importantes para esquadrinhar o esquema. Só na ação em que o mensalinho a Stael é detalhado, o grupo de Janene é acusado de ter desviado R$ 1.109.949,47.

O MP diz que, sob a falsa chancela de consultoria, as empresas apresentaram projetos e planos sobre urbanização apenas “para dar aparência” a serviços fictícios. A fraude foi tão escandalosa que as 23 cartas-convite, licitações, notas fiscais e contratos das empresas foram expedidas depois que a prefeitura pagou por obras ou serviços fictícios.

De acordo com o MP, parte dos gastos retornava ao grupo através de cheques emitidos pelos fornecedores. Eduardo Alonso contou que Janene, atendendo a um pedido de Belinati, pediu que intermediasse um contato para que a troca de cheques emitidos por duas empresas de Curitiba, a Nova Forma e a Kesikowski, fosse feita em São Paulo.

O dinheiro teria sido repassado à Realty Investimentos, Participações e Empreendimentos Ltda., cujo capital, numa porcentagem de 99%, pertence à empresa uruguaia Norgrend Sociedade Anônima, que está sendo investigada pela Polícia Federal. A Realty teria recebido das empresas que aparecem nos contratos R$ 2.603.000.

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