IstoÉ: Janene x MP - I


Um levantamento do Ministério Público paranaense revela que a performance do líder do PP, José Janene, na arrecadação de propinas que resultam da promiscuidade entre o poder público e seus prestadores de serviços é bem mais arrojada do que se sabia.

Um mensalaço montado em parceria com o ex-prefeito de Londrina, Antônio Belinati – rendeu ao esquema de Janene, entre o final de 1997 e início de 1999, uma montanha de R$ 7.784.636,07 – quase o dobro dos R$ 4,1 milhões que o publicitário Marcos Valério diz ter mandado ao líder do PP. Na época, o real tinha o mesmo valor do dólar.

A regularidade dos depósitos é impressionante: sempre entre os dias 10 e 14 de cada mês, em valor fixo. Dos 19 créditos identificados, apenas três apresentam cifras diferentes – R$ 30 mil, R$ 22 mil e R$ 5 mil. Os outros 16 são cada qual de R$ 21 mil, depositados em espécie por um emissário de Janene ou por funcionários das empresas citadas nas ações da Justiça como corruptoras.

Os repasses, segundo o Ministério Público paranaense, eram a contrapartida de um esquema paralelo, acertado entre Janene e os diretores das empresas Tâmara Serviços Técnicos S/C Ltda. e Principal Vigilância S/C Ltda., Henrique César Galli e José Luiz Sander. Com endereços declarados em Iguaraçu (PR), as empresas teriam contribuído com um esquema de corrupção montado em dois órgãos municipais, a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).

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