Exclusivo: Relatório Repassado a Duas CPIs!


No dia 30 de agosto, aconteceram duas reuniões na sede da eletronuclear; a assembléia geral de acionistas, para aprovação do balanço do primeiro semestre, e a reunião do conselho de administração. Essas reuniões na verdade tinham como objetivo decidir sobre o futuro do presidente da Eletronuclear e ex-presidente do Nucleos (Fundo de Previdência da Eletronuclear, INB, NUCLEP), Paulo Figueiredo. Ele foi presidente do Nucleos de 2003 até abril de 2005.

Quando aconteceram as reuniões, Paulo Figueiredo já havia limpado sua sala, preparado para deixar o cargo. Toda a imprensa dava como certa sua saída, mas para surpresa geral, ele foi mantido. Paulo Figueiredo já havia entregue o cargo aos acionistas antes da reunião, mas esses o mantiveram. Então a coisa de limpar a mesa era apenas fachada. Também recebeu ligação de um ministro, provavelmente o de Minas e Energia que o confirmou no cargo.

Paulo Figueiredo, que já foi do PC do B, é amigo pessoal de Marcelo Sereno (trabalharam juntos na Vale do Rio Doce e no SindiMinas-RJ) e foi através desse que chegou à presidência do Nucleos. Sereno também indicou o presidente da INB (Indústrias Nucleares do Brasil S.A.), Luiz Carlos Vieira (ex-secretário nacional de Comunicação do PT). Compravam títulos públicos, procurando sempre investimentos de alto risco e depois vendiam com deságio para corretoras. Estas faturavam a corretagem e parte desse dinheiro. Essas operações produziram ganhos "políticos" que podem chegar a R$ 50 milhões.

O Nucleos é único cotista em dois fundos, Urânio e Monazita, geridos e administrados pela Arbor, que tem como sócio Christian, um dos filhos de Haroldo Pororoca. As aplicações do Nucleos em fundos da Arbor foram feitas por intermédio dos bancos Pactual e Industrial. Em 2004, o Pactual foi substituído pelo Banco Santos, cuja liquidação causou perda de R$ 7 milhões. Com a saída do Santos, o Urânio foi para o WestLB. O Nucleos teve rendimento de 5,98% bem abaixo da rentabilidade média dos fundos de pensão, de 17%.

Outra ligação entre Haroldo Pororoca e Sereno, seria Fabiana de Castro, ex-gerente financeira da Núcleos e que seria prima de Christian, que só saiu recentemente por causa da descoberta dessa ligação. A aproximação entre Sereno e Pororoca se deu em 2002, quando ele foi o coordenador das finanças da campanha de Benedita e foi intermediada por um deputado estadual do PC do B no Rio. Outra ligação é que em 2004 a família de Pororoca fez doações à campanha de vereador do PCdoB-RJ.

Blog do Cesar Maia

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