Entrevista à professora Kathryn Hochstetler


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Coluna do MERVAL -Globo de domingo- Trechos.


A professora Kathryn Hochstetler, da Universidade do Estado do Colorado, autora do trabalho sobre quedas presidenciais na América do Sul, que está sendo apresentado na reunião anual da Associação Americana de Ciência Política, diz que “os protestos de rua são decisivos nos estágios finais de um processo contra um presidente”.

Até agora, ela considera que “os protestos têm sido muito pequenos para um país do tamanho do Brasil. Nenhum presidente em lugar nenhum da América do Sul cai com protestos tão pequenos”, ressalta.

“Parece que os brasileiros estão esperando os resultados das investigações contra Lula antes de sair às ruas”, imagina ela.

“Os protestos pelos participantes da sociedade civil, com ou sem ação legislativa paralela, parecem ser o poder moderador dos novos regimes civis". “ Isso sugere a necessidade de maior reflexão sobre o papel do público no presidencialismo”. Para ela, as discussões sobre o presidencialismo deixaram de examinar “as formas pelas quais a população pode evidentemente retirar o mandato que concedem, um fenômeno que se está tornando mais comum no cronograma da consolidação democrática”.

Os protestos de rua em larga escala, “clamando pela saída do presidente, convenceram os legisladores a se inclinarem a agir contra eles”. Os protestos têm também a capacidade de “transferir antigos partidários do presidente para a oposição, mesmo contra seus colegas de partido”.

Para ela, os presidentes “deveriam assumir definitivamente que os legisladores e a população incluem o impeachment como parte do menu político, e escolher o seu comportamento em conseqüência disto”. O processo de impeachment sempre tem sido “fundamentalmente um processo político do início ao fim”. “Em eventos políticos extremos, como o afastamento do cargo, o Poder Legislativo emerge como mais forte na prática do que seria de se esperar em função de sua fraqueza relativa numa política mais normal”.

O estudo mostra também que as populações não se voltaram contra os legisladores da mesma forma que derrubaram presidentes.

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