A Eleição do Presidente da Câmara


Do blog de Fernando Rodrigues-UOL. Trechos.
A humilhante desistência do PT agora há pouco na disputa pela cadeira de Severino Cavalcanti é o exemplo mais acabado da fragilidade política do governo e de sua base aliada no Congresso. Esse movimento de recuo do governo é um sinal importante sobre a imprevisibilidade na disputa pela presidência da Câmara.

1) Os ministros eram convocados ao Palácio. “Quantos votos você tem”, perguntava o presidente. O ministro então respondia e dava uma lista. Assim se construía um presidente da Câmara dos Deputados. Hoje, quantos votos, efetivamente, os ministros de Lula têm dentro do Congresso? Não dá para afirmar que é zero. Mas é perto disso.

2) Esse ambiente descontrolado e fragmentado já existia no final de 2004.

3) Os dois principais candidatos do “establishment” da Câmara têm sérios problemas. A ver: Nonô (PFL-AL) – só vence disputando contra o candidato oficial do Planalto.
Temer (PMDB-SP) – tem chances, mas só deve entrar na disputa se tiver segurança máxima de vitória. Seria um vexame para um ex-presidente da Câmara por duas vezes perder a essa parada. Dornelles (PP-RJ) – é tido como um dos mais antipáticos deputados do Congresso. Não dá a menor pelota para o baixo clero. Ele deve sair do páreo ao verificar que está sendo usado para ser rifado mais adiante.

4) Diferentemente dos caciques e do governo, o baixo clero articula a todo o vapor. Pelos menos três candidatos devem ser observados com cuidado.Ciro Nogueira, João Caldas (PL-AL). Fleury (PTB-SP), cuja missão é viabilizar a si próprio ou a qualquer outro nome que seja anti-Lula.

5) Lula estava encalacrado com o nome de Arlindo Chinaglia. A opção do Planalto foi humilhar o PT. A sigla, dona ainda da maior bancada da Casa, ficará sem candidato. Os petistas estão obrigados a votar em alguém que no passado jamais seria o escolhido da agremiação. A chance de dar certo é mínima.

Algumas (não todas) hipóteses de segundo turno:
1) Nonô X “alguém do baixo clero”. Vence o baixo clero, pois essa categoria votaria unida e o governo ficaria obrigado a descarregar também contra o PFL.

2) Nonô X “alguém do governo”. Vence Nonô. Nesse caso, o baixo clero descarregaria contra o governo. Como se vê, o governo perde em todas.
Blog do Cesar Maia

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