Dantas, Dirceu, Gushiken, Teles e Lobbies Ltda - II


SEGUNDA PARTE

Valor.


Nesse meio-tempo, segundo relato de dirigentes dos três fundos de pensão e de um ministro, o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, dizendo que a briga com Dantas não interessava ao governo nem ao PT. A desconfiança era que o Opportunity queria vender a Telemig para se capitalizar e, com o dinheiro, adquirir a participação do Citigroup na BrT. Com isso, ficaria senhor absoluto do controle da BrT, consagrando a participação minoritária dos fundos no capital da empresa. Inicialmente, os representantes do Citi disseram aos fundos que gostariam de tentar uma saída negociada com o Opportunity. O banqueiro, por sua vez, avisou aos americanos que os fundos de pensão não fechariam o contrato com o Citi. O Citi só assinou o acordo com os fundos em março deste ano, mês em que também destituiu o Opportunity da gestão do CVC estrangeiro, o fundo que gere sua participação no capital da BrT. Integrantes do governo desconfiam que José Dirceu pode ter tido participação num terceiro episódio de lobby pró-Dantas. É que, um mês depois da assinatura do acordo entre o Citi e os fundos de pensão, a Telecom Itália e o Opportunity, inimigos figadais desde a privatização das teles, em 1998, se associaram. A desconfiança é que, já sabendo do acordo dos fundos com o Citi, Dirceu teria se reunido com a cúpula da Telecom Itália em janeiro, em Milão, para interceder em favor de Dantas.

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