Boris Fausto em artigo na FSP critica intelectuais de esquerda e o mito que criaram


Engendrou-se assim, engatando com as tradições de nossa cultura política, o carisma do herói salvador, por mais que se exaltassem as virtudes da organização partidária. O irmão-gêmeo do carisma foi o desprezo pela bagagem cultural -o pão nosso de cada dia dos intelectuais!-, em nome de uma intuição rara, que fazia do líder carismático "o melhor dentre todos nós". A contrapartida para quem apontasse a inadequação desse caminho ou criticasse as formulações equivocadas sobre a economia e a natureza da sociedade era a rotulação desqualificadora: elitista, preconceituoso, colonizado, neoliberal etc.

Tudo isso acabou como acabou. Hoje, há quem se agarre ao barco que navega num pântano, de quem dele saiu há bom tempo e há quem se entregue a silêncios embaraçados e até a delírios conspiratórios.

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