República Offshore XI

Sindicalismo de Negócios

Continua a matéria da VEJA com Toninho do Barcelona, trechos.


Nesse período, as trocas chegavam a somar em torno de 500.000 reais por semana. "Eles faziam muita questão de que as notas em reais fossem de 50 e 100 por questão de volume", diz Toninho. O volume das trocas cresceu tanto que, certa vez, um assessor de Devanir Ribeiro pediu para que os reais fossem depositados diretamente na conta bancária do PT.

Na entrevista por escrito a VEJA, Toninho da Barcelona conta que hesitou em autorizar a operação. Os computadores foram apreendidos pela Polícia Federal e, se não foram alterados, contêm todas as operações, garante o doleiro.

Marcelo Viana, então responsável pelas operações de balcão da Barcelona relata que, dependendo do volume das trocas, o dinheiro seguia em sacolas ou envelopes. "Mas também já levei dinheiro preso às meias e debaixo da roupa", diz. Marcelo Viana lembra que suas visitas à Câmara de Vereadores eram precedidas de identificação na portaria.

O deputado federal Devanir Ribeiro foi metalúrgico e é petista de primeira hora. Amigo de Lula desde 1972, ele esteve presente nos momentos mais simbólicos da vida do presidente: integrou a primeira diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, participou da greve de 1978 e dividiu uma cela com Lula quando ambos foram presos. Em 1982, quando Lula se candidatou a governador de São Paulo, o motorista da Belina que rodou o estado era Devanir Ribeiro. Os dois são amigos até hoje. Nos fins de semana em Brasília, Devanir e a mulher, Zeneide, visitam o primeiro casal na Granja do Torto, onde se divertem tomando cerveja e jogando cartas. Devanir Ribeiro garante que nem conhece Toninho da Barcelona.

(manhã)

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