Palocci e os Mercados


E depois da proposta indecente, os contatos continuaram. Editorial da FSP -trechos.

PALOCCI E OS MERCADOS

Não é a consulta ao comportamento do índice Bovespa ou da taxa de câmbio que irá determinar se as explicações do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, devem ser aceitas como definitivas. É irrelevante para a avaliação do caso se os mercados se deram por satisfeitos com as declarações do ministro. O fato é que Buratti sustentou o que dissera ao Ministério Público: a empresa Leão Leão, da qual era vice-presidente, pagava uma "caixinha" de R$ 50 mil mensais à prefeitura de Ribeirão Preto.

E o então prefeito Palocci conheceria o esquema.Buratti disse ter transmitido ao chefe de gabinete do ministério da Fazenda uma proposta da empresa Gtech, que oferecia pagamento por uma renovação de contrato com a CEF. Palocci recusou a oferta, mas, ao que se sabe, nada fez contra os que teriam tentado corrompê-lo.Ainda segundo o depoente, uma doação de R$ 2 milhões de empresas de jogos para a campanha do presidente Lula da Silva envolveria um acordo eleitoral. Não se podem ignorar os telefonemas de Buratti para Palocci e o fato de o ministro não ter feito referência a oito contratos assinados pela prefeitura com a Leão Leão. Mas não basta a paz dos mercados para oferecer garantias quanto a isso. É preciso que as investigações prossigam.

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