Os Meios de Comunicação


Em uma crise como essa, (volto aos triângulos de Botana), com as lideranças políticas do governo e da oposição, com os intelectuais e com a população, perplexos, inevitavelmente os meios de comunicação entram no vácuo, queiram ou não queiram. O que destacam e o que minimizam vão servindo de referência no processo de formação por contaminação da opinião pública.

Eles sabem disso e passam a decidir com muito cuidado como informar. Consultam, falam, ouvem de forma a não assumirem um papel, que não lhes cabe. Não gostam disso. Preferem poder atuar com liberdade, e até com irresponsabilidade, por terem a certeza que não estão assumindo um papel de alto risco em situação de crise.

Nos editoriais pode-se conhecer com clareza que tipo de linha eles adotam, em função da interação que fazem com políticos, intelectuais, empresários e lideranças sociais. Hoje o Editorial de O Globo faz uma dura crítica à lei de regulação eleitoral que foi aprovada no Senado. Critíca especialmente a ausência de punição substantiva, a invasão do direito de ser informado (pesquisas de opinião restringidas) e limitações no uso da TV (o que na verdade aumentaria a importância da mídia em campanhas).

O
Editorial da FSP classifica como absurda a idéia de convocação de uma nova constituinte. Aliás a FSP esta semana entrevistou Paulo Bonavides (constitucionalista) que afirmou que o Congresso não tem poderes para isso. No discurso de Sarney no Senado, ele diz a mesma coisa, citando Afonso Arinos.

E o Editorial do ESP fala do Caixa 2 na eleição de Lula (depoimento de Delúbio) e avança sobre os fatos que se tornam cada dia mais óbvios e que "cedo ou tarde, a força dos fatos arrebenta os diques erguidos, pelos culpados, para ficar impunes".

(manhã)

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