O irmão de Celso Daniel conta quase tudo


- O caixa 2 virou caixa 3. Petistas de Santo André estavam se locupletando com o dinheiro - disse João Francisco em entrevista concedida ontem a
Zero Hora por telefone, de Salvador.


João Francisco Daniel - A principal prova é um dossiê que meu irmão montou entre setembro de 2001 e o dia de sua morte. Ele foi torturado para revelar onde estavam esses papéis. Ali estão comprovantes bancários que mostram um fluxo de propinas das empresas de ônibus de Santo André para contas de pessoas do partido, sem conhecimento do meu irmão. Entre elas o Sombra, que se passava por melhor amigo do Celso e o traiu.

Daniel - Celso Daniel sabia do caixa 2. Ele sabia da arrecadação de propina e concordava, mas imaginava que só se destinava ao partido. Aquela história de "os fins justificam os meios". Quando descobriu que os fundos estavam sendo desviados para o bolso de colegas da administração petista, pensou em puni-los administrativamente, exonerá-los. Mas eles foram mais rápidos, e ele acabou assassinado. Existem provas apenas contra o Sombra - testemunhas dizem que o viram fumando tranqüilo, junto ao corpo desacordado do meu irmão, papéis que mostram seu enriquecimento súbito. Mas outros participaram do complô.

Daniel - Ouvi de Gilberto Carvalho (ex-secretário de Celso Daniel e atual chefe de gabinete de Lula)que o dinheiro do caixa 2 era entregue pessoalmente ao deputado José Dirceu. Carvalho me disse que levou uma vez R$ 1,2 milhão.

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