Entrevista Marco Maciel


Zero Hora.

Marco Maciel - Há projeto de lei para reduzir gastos de campanha e dar maior transparência a esses gastos. Isso é muito bom. Outra coisa: é o problema de reforma política que vem desde 1977. Mas uma verdadeira reforma só pode se efetivar num clima de estabilidade no Congresso. É mais fácil fazer uma reforma política no início da legislatura do que do meio para o fim.

Maciel - O sistema brasileiro vincula o eleitor ao candidato, não ao partido. Um sistema correto vincula o eleitor ao partido. Para fortalecer os partidos, precisamos mudar o sistema eleitoral. Sem isso, há muita mudança de partido.

Maciel - Uma vez eleito presidente, o cidadão discorda muitas vezes da maioria parlamentar, e se coloca a grande questão. Em lugar de se fazer um debate com os partidos de oposição, optou-se pelo processo de cooptação. As regras do jogo não estão corretamente definidas. Isso vale para o sistema político, para a economia, para as relações internacionais. O estrangeiro não sabe se tem garantias para investir aqui, se as regras se alteram de acordo com as circunstâncias. A reforma política não deve ficar circunscrita ao sistema político, mas também avançar no campo do sistema de governo, na questão federativa.

Maciel - Quanto a crise, a história das nações é a história de suas crises. A crise também ensina. Agora, por outro lado, estamos vivendo uma crise política, e não institucional. Não temos só que apurar, mas adotar medidas legais. Esses fatos todos foram deslocados para o Legislativo. E isso provocou uma certa crise de representatividade.

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