CPIs Investigam um Sistema Complexo


Deve-se exigir eficácia, mas não pressa!

Folha de SP.

Empréstimos de Valério não foram só para caixa dois

Os R$ 55,2 milhões dos supostos empréstimos que as empresas de Marcos Valério nos bancos Rural e BMG não foram integralmente destinados ao caixa dois do PT. Pelo menos R$ 100 mil de um dos empréstimos do Banco Rural à Graffiti, uma das empresas do grupo de Valério, foram transferidos diretamente para a conta de Maria Consuelo Cabaleiro Rodrigues, personagem desconhecido até agora da CPI. Ela é mulher de Ramon Hollerbach Cardoso, sócio do publicitário. O dinheiro seria, segundo ele, pagamento de distribuição de lucros da SMPB.

Ao analisar a transação, o ex-corregedor-geral da Receita Moacir Leão disse que a operação é típica de "lavagem de dinheiro". " Não há lógica em uma empresa tomar empréstimo para distribuir como lucro a seus sócios", afirmou.

O repasse a Hollerbach é mais um arranhão na versão de Valério de que o caixa dois do PT tem origem só no crédito dado a suas empresas pelo Rural e pelo BMG. O Rural, por exemplo, é credor em mais de R$ 80 milhões (valor atualizado) da Graffiti e da SMPB relacionados a empréstimos dados de fevereiro de 2003 a julho de 2004.

Outros fatos abalaram a versão dos empréstimos para o PT. Pelo menos cinco políticos mineiros já declararam ter recebido doação de campanha da Usiminas pela SMPB, num valor total superior a R$ 1 milhão. Entre eles, o deputado federal petista João Magno, que aparece na lista dos beneficiários da empresa de Valério com a quantia de R$ 200 mil. O dinheiro foi para sua campanha a prefeito de Ipatinga no final de 2004.

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