Comentário


EVIDÊNCIAS: A PROXIMIDADE DO IMPEACHMENT


1. As declarações enfáticas de José Dirceu que Delubio não é de sua turma, insinuando ser do Lula, tem antecedentes para serem analisadas.

2. Numa longa entrevista a Isto É -em 16. 01.1985- Lula listou as exigências do PT não atendidas por Tancredo - que por isso PT anulou o voto. Listou três. Uma delas: "Outra coisa fundamental: que os trabalhadores controlem os,(seus), Fundos de Pensão".

3. Na Veja de 25. 12. 1985, o ministro do trabalho, Almir Pazzianotto,(hoje ministro do TST), dizia: "É no mínimo insólita a ligação do PT com a CUT".

4. Portanto são questões que vem de longe, desde quando Lula dirigia, sem a sombra de Dirceu, o PT.

5. Mas foi nas semanas após o episódio Waldomiro, que tudo ficou mais claro. O Globo em março de 2004, em editorial sobre financiamento de campanhas eleitorais pedia transparência. O deputado Jefferson em "outra opinião", dizia que "O governo já não dialoga com bancadas como no passado. Hoje a conversa é com partidos".

6. O ministro Zé Dirceu, diz ao Globo em 16.03.2004 : " Este é um governo que não tem um caso de corrupção. Não rouba e não deixa roubar. Pelo contrário, tem reorganizado a CGU, trabalhado com TCU e MP. Em 15 meses não existe uma denúncia de corrupção de ministros e agentes do poder público. Nem suspeitas. "

7. A fins de março de 2004, a base aliada do governo Lula se rebelava.Em sua bem informada coluna Tereza Cruvinel afirmava: "As sirenes soaram. Lula reuniu os bombeiros ficou sem almoço e pôs a mão na massa dos problemas e a noite a rebelião parecia controlada". "O presidente da Câmara , logo depois foi procurado pelos líderes do PL, do PTB e do PP, separadamente. De cada um ouviu a mesma coisa: que não tinham mais como segurar as suas bancadas. Apresentaram uma montanha de queixas, desatenção dos ministros, não cumprimento de acordos,...." No vôo de volta ao Rio, Lula disse a Dirceu: " Terá que mergulhar mesmo na coordenação administrativa e desencarnando definitivamente do papel de coordenador político e mais ainda do de combatente partidário. Foi o que Lula recomendou-lhe na cabine do avião".

8. Jefferson no Correio Braziliense de 7. 03. 2004, disse: "O PT é um partido forjado pelo ódio com todas aquelas correntes se devorando. O bom dessa história,( rebelião da base aliada), é que acabou o voto de opinião. Agora eles vão ter de garimpar apoio de prefeito com emendinhas do orçamento, igual nós fazemos". E em 16 de abril, estampava: Motim Petebista com declarações do líder do PTB. A matéria dizia "Entre os pedidos do PTB estão cargos na diretoria dos Correios e liquidação de restos a pagar do ano passado". Neste mesmo dia num box, vinha: Lula prestigia PL com nomeação no DNIT. "A indicação de Oliveira foi negociada pelo vice-presidente e pelo -ex-ministro de transportes também do PL".

9. Daí para frente o canal de irrigação Delúbio-Valério cresceu a taxas geométricas como os documentos na CPI podem demonstrar. Especialmente se retiramos dos valores de 2003 aqueles claramente relacionados a campanha de 2002, que tiveram fator gerador no primeiro semestre.

10. Esses e outros fatos -relidos à luz de hoje- mostram claramente que Lula assumia a decisão matriz -em casos desta natureza- e que delegava a operação. A forma que Lula substituiu Dirceu -sinalizando que êste deixava- após Waldomiro- de ser interlocutor com os políticos e partidos, e como Aldo Rebelo -PCdoB- não tinha delegação, é porque cabia ao próprio Lula, ou a quem designasse, essa função.

11. Não há como inisistir em ir levando as coisas em banho maria. Será inevitável os fatos chegarem lá. É uma questão de tempo !

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