Agitação Manipulada, Assusta


Folha de São Paulo

Militares mostram apreensão com crise

As Forças Armadas acompanham a crise política com muita preocupação e com a avaliação de que é importante para a democracia manter o presidente Lula da Silva até o fim do mandato, mas falar em reeleição é considerado quase uma afronta. Motivo: ele não teria mais apoio da opinião pública qualificada e teria de mobilizar perigosamente as massas. O governo, como teme a cúpula militar, poderia ficar "refém do MST" Conforme a Folha apurou, os comandos e os órgãos de inteligência de Exército, Marinha e Aeronáutica mantêm contatos assíduos, às vezes até diários, para acompanhar a crise. Os comandantes têm, inclusive, um telefone exclusivo para uso entre os três, com misturador de voz.

As críticas ao PT e ao governo são cada vez mais abertas, mas a intenção não é intervir de nenhuma forma e, sim, monitorar principalmente as intenções de dois personagens centrais: o ex-ministro José Dirceu e o MST.

O temor é que, fragilizado politicamente, Dirceu aja com a "alma guerrilheira", da qual os militares acham que ele nunca se libertou. Ou seja, articule uma reação de massas para segurar Lula e o governo, provocando confrontos de proporções incertas.

Quanto ao MST, a inteligência militar vê com desconfiança seus principais líderes, como João Pedro Stedile, estarem reclusos e articulando apenas nos bastidores.

(manhã)

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